Falando a verdade #9 – Arbitragem brasileira

Por Cristiano Martins

Quando começou a se falar em UFC o sonho dos árbitros era pisar no Cage do maior evento de MMA do mundo, logo, o Lobby em Brasília se comunicou com o grande grupo de comunicação brasileiro e diante da necessidade de baixar um pouco o custo em nível Brasil do Staff, nasceu o bebê disforme chamado CABMMA.

Um amontoado de árbitros recém formados liderados por outros tantos questionáveis e alguns bem fracos.

Quero me ater a arbitragem pois são diversos os pontos que poderiam ser abordados e isso daria um livro, mas, esse texto tem um propósito.

A atuação da CABMMA no centro do cage era incrivelmente ruim, porém, o reflexo desses erros no maior evento do mundo são naturalmente maiores e na época um pra cheio para quem questionou (como eu) o método que a CABMMA usou para entrar no mercado.

Por anos a fio a CABMMA foi condenada pela imperícia de seus comandados especificamente naquele ponto que é o de garantidor da integridade física do atleta e também da imagem profissional da equipe em si e do evento por conseguinte.

Acordei nessa segunda feira com um vídeo em meu Whatsapp de uma atuação desastrosa de um arbitro em uma luta de MMA, e soube do pior, luta AMADORA.

Fui buscar qual a equipe de arbitragem estava responsável pelo Referee em questão era a Referee Team empresa que está sendo o ponto de partida para a CANMMA uma segunda comissão atlética nacional que eu torço para dar certo, mesmo conhecendo as dificuldades que enfrentará uma delas a verba reduzida, muito diferente do que foi com a CABMMA em sua formação.

Os erros que vi no vídeo são tão graves que não vou nem pontua-los, a medida de afastamento do rapaz que foi responsável pela barbaridade parece pequena diante do fato, mas, todo mundo tem direito de errar e a medida de suspensão e reciclagem realmente é a apropriada nesse caso.

O questionamento que eu faço é:

Como justificar tamanha imperícia? O rapaz estava em um estágio, ou seja, tinha sido submetido a uma avaliação teórica e avaliado apto a “passar de fase”, os erros ali cometidos são de quem não conhece o MMA.

Porém, se eu estiver errado e esse rapaz apenas errou por conta da adrenalina de estar arbitrando pela primeira vez, temos que analisar o que é mais importante ensinar a um jovem árbitro e aí eu levanto a questão aos amigos.

É mais importante preservar a integridade física de um atleta ou preservar o seu currículo?

A calma que o árbitro central demonstrou ao lidar com um nocaute técnico de um amador me faz crer que ele tem experiência em outros esportes de combate que abrem contagem como Boxe, Kickboxing ou Muay Thai, MMA especialmente o amador é diferente, o impacto de uma luva sem proteção de dedos com variação entre 4 e 6 Oz é brutal demais e esse vício pode tê-lo atrapalhado.

Certa vez conversando com o árbitro central Roberto Thomaz ele falou algo importante.

“Toda vez que faço um amador, falo para ambos os atletas, vocês estão aqui para aprender, portanto, ao menor sinal de impossibilidade de continuação, eu vou interromper a luta”.

Creio que essa deva ser a medida protetiva a se tomar, se tem um lugar onde o atleta pode “perder tranquilo” é no amador, é a fase de total adaptação a nova profissão.

A minha humilde sugestão é que a CANMMA pela qual tenho muito respeito, continue vindo a público dar esclarecimentos a respeito de seus atos, diferente do que faz a CABMMA que não se justifica para ninguém.

A diferença é que não se pode ficar de Mea Culpa em Mea Culpa e medidas para que isso não ocorra mais devem ser implementadas, a primeira é a de colocar um professor em pé em um dos Totens do cage para que oriente o estagiário em suas dúvidas.

A postagem da CANMMA mostra uma entidade preocupada com a imagem pós evento, depois que deu problema, mas no vídeo que mostrou o problema, não vimos nenhum superior gritar com o estagiário orientando em sua atuação.

Arbitragem é coisa séria, arbitragem no MMA amador mais séria ainda, arbitragem no MMA amador em nível semi profissional no peso em que os atletas atuavam então, nem se fala.

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