Ousadia e oportunidade, Claudinho FK fala sobre início e futuro do Favela Kombat

Créditos: Favela Kombat

Por Leandro D’Paula

Um dos grandes eventos do cenário nacional, o Favela Kombat estava marcado para acontecer no dia 29 de março deste ano e por conta da pandemia de coronavírus precisou suspender suas atividades. A edição aconteceria com o retorno do evento na tela do canal Combate, com transmissão ao vivo, um grande passo para um evento que em 2018 faturou o Prêmio Osvaldo Paquetá na categoria não televisionado.

O presidente e fundador do evento, Claudio Carvalho, mais conhecido como Claudinho FK, precisou, faltando cerca de duas semanas, suspender todos os serviços que seriam utilizados no evento.

“Foi um baque muito grande, eu confesso que ainda não consegui sentar e projetar como serão as coisas. A incerteza é muito grande por conta da pandemia. Minha projeção eram 5 eventos em 2020, estava muito feliz por nosso retorno ao canal 100% lutas. Agora preciso analisar tudo com calma, com essa paralisação brusca gerou um prejuízo considerável para o evento. Mas tudo na permissão de Deus.” – explica

Acostumado com as adversidades da vida, Claudinho espera ver seu projeto retomar a crescente. Segundo o mandatário do evento, este ano seria especial principalmente pelo amadurecimento e consolidação do evento.

“Eu espero que as coisas comecem a se normalizar nos próximos meses, talvez os eventos esportivos retornem a partir de agosto. Tudo será gradativo. Nosso trabalho vai continuar, esse ano era para nossa consolidação. Eu esperei o tempo certo para retornar a TV, estava tudo programado e preparado para retornarmos em grande estilo.” – conta

Claudinho com Ring Girls em evento no Ita Music (Arquivo Pessoal).

O Início

Com a experiência de quem já viveu as mazelas e também as riquezas da vida, Claudinho não se intimida em contar sua trajetória. Cresceu em família humilde, com os pais buscando melhoria de vida de maneira honesta. Cresceu em um dado momento da vida conseguiu viver uma saúde financeira invejável, montou uma rede de lojas e infelizmente, por falta de entendimento, viu seus negócios afundarem. Recomeçou do zero, sem nada no bolso, e aos pouco foi refazendo sua história. Hoje, com mais experiência, se sente feliz e motivado para buscar voos mais altos.

“Tenho muito orgulho da minha criação, de forma honesta e digna. Meus grandes psicólogos foram o chinelo da minha mãe e o cinto do meu pai. Nasci em 1979, era outra realidade. Errei em alguns momentos da vida, foi ruim mas também foi um período de amadurecimento. Hoje, aos 40 anos, olhando para trás, minha vida daria um livro. Comecei bem novo na área da eletrónica, ramo que me formei. Fiz curso para piloto, porém não avancei. Trabalhei como motoboy, vendedor de churrasquinho, flanelinha, marrequinho(ajudante de mercado), açougueiro…sempre buscando ganhar o meu. Me tornei empresário, com mais de 10 lojas, mas infelizmente acabei perdendo tudo. Voltei para o trabalho de rua e ali recomecei. Atualmente trabalho na área administrativa com diagnóstico de gestão, onde faço delineamento de projetos e também atuo como promotor de eventos de diversos esportes.” – explica

Recebendo o Óscar das mãos de Diego Braga.

Amante das artes marciais, desde jovem o contato com o mundo das lutas era muito constante e regular. Um dos nomes que Claudinho tem mais respeito e gratidão é o do mestre Jorge Valente, foi através dele que Claudinho aguçou ainda mais o interesse em promover eventos de lutas.

“Eu tive o grande prazer de conhecer o mestre Jorge Valente, que fazia o evento Coliseu Arena. O Esporte me tirou de uma depressão profunda e eu tinha muita vontade de retribuir o que o esporte fez por mim.” – revela

NASCIMENTO DO FAVELA KOMBAT

O evento começou após Claudinho unir o game Mortal Kombat e o evento Taça das Favelas. A primeira edição aconteceu na comunidade Buraco do Boi, que fica em Niterói, e teve o apoio do Sindicado dos Metalúrgicos de Niterói. O início foi com pouco recurso e muito entusiasmo.

Claudinho ao lado dos filhos.

“Um belo dia eu estava jogando o game Mortal Kombat com meu filho mais velho, ao desligar o videogame estava passando a Taça das Favelas e me veio a ideia de fazer algo parecido no cenário do MMA. Me informei com alguns amigos, perguntei opiniões e todos adoraram. O primeiro passo foi escolher o lugar, e me veio a ideia de fazer em um lugar que tenho muito carinho que é a comunidade Buraco do Boi, onde alguns amigos moravam. Contei com a ajuda do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói, na época fazia segurança para eles. Agora é a parte engraçada, coloquei uma lona de circo protegendo o cage em caso de chuva. A ambulância era um carro, um Kangoo, branco que eu tinha(risos). Era época de natal, arrecadei brinquedos e distribuímos para a criançada, com direito a chegada de papai noel. Algumas lutas casamos na hora, foi tudo bem povão e bem a cara do que eu queria fazer. Foi muito legal.” – conta

 

1º evento (Arquivo Pessoal).

O divisor de águas aconteceu na terceira edição, na Rocinha. Onde o evento virou um documentário, no canal Space, chamado “Bom de Briga”.

“O evento foi sensacional, lá na quadra da cachopa. Foi o primeiro evento de MMA a ter uma ring girl plus size, que foi a MC Carol. O canal Space produziu um documentário chamado Bom de Briga, tudo por conta deste evento na Rocinha. Eu lembro que no dia seguinte ao evento eu acordei e meu nome estava em todos os veículos de mídia. Sabe o que foi fantástico? Não era só no Brasil, em diversos países falavam desta edição do Favela na Rocinha.” – revela

Ao todo o evento já produziu 33 edições, dando oportunidade para muitos atletas. Nomes de peso já passaram pelo Favela Kombat, que se tornou também uma ferramenta de inserção social.

“Já tivemos beijo entre duas atletas durante a pesagem, na luta entre Luana Lopes e Jorgina. Eu sempre fui muito ousado e por isso quebramos muitas barreiras. Eu fui o primeiro a lançar ring girl Plus Size, transex, anã e uma ring girl cadeirante. Sempre pensei na oportunidade para todos que sonhavam lutar ou trabalhar em um evento de MMA. O Favela Kombat é um evento que gera oportunidades. Hoje em dia não estamos mais fazendo evento em comunidade por conta das questões na segurança pública no estado. O Favela é um evento do povo, nunca vai mudar sua essência.”- conta

Evento na Rocinha(Arquivo Pessoal).

Sem uma data certa para o retorno do evento, ainda esperando uma mudança positiva em relação a pandemia e mesmo com toda situação ruim que assombra o mundo, a esperança é o maior combustível de Claudinho, que sempre encarou os problemas de frente.

“Eu continuo olhando para o futuro, foi assim que crescemos e ganhamos nosso espaço. O momento é difícil, mas vamos superar e seguir em frente. Este ano era para ter começado diferente, em 2019 ganhamos o Óscar do MMA e em 2020 estava agendado nosso retorno para a TV. Nossos planos apenas foram paralisados, porém estamos mais prontos do que nunca para voltar com o Favela em grande estilo. Não vamos recuar, no tempo certo retornaremos para continuar buscando o crescimento do esporte no nosso país. Aqui é Favela!” – Finaliza

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