Play the game #1 – O Covid-19 e os esportes de combate

Por Eugenio Veroneze

Quando será a hora certa de retomarmos os grandes eventos?

Coronavirus updates: Bellator 241 fight card to be held without ...

O mundo parou e se curvou a realidade, vivemos em uma pandemia. O nosso planeta perdeu o controle de um vírus altamente letal, que se propaga facilmente, pelo ar ou por superfícies contaminadas. E como fazemos para conter a propagação? Reduzimos de forma expressiva o convívio social, o convívio profissional, o convívio familiar…

Lockdown.

Sem convívio não existe forma de se treinar, ou melhor, de se praticar, qualquer que seja o esporte de combate. Nos esportes profissionais, carinhosamente chamados de esporte de alto rendimento, a rotina de treinos é exaustiva. Treinos em vários horários do dia, com várias formas distintas de preparação. É complexo demais treinar um atleta profissional de esporte de combate. Quanto mais material humano qualificado se puder contar melhor, onde inevitavelmente estarão todos juntos, respirando o mesmo objetivo, e o mesmo oxigênio.

Não pode.

Em tempos de Covid-19, não é sensato reunir um grande números de pessoas no mesmo local, se abraçarem então é absurdo total, sendo assim, como fazer? Como cobrar rendimento de alguém que não pode treinar? Como submeter um atleta ao extenuante processo de perda de peso, onde é sabido que o sistema imunológico sofre demais?

Teremos que nos adaptar, os treinos terão que mudar, a rotina precisará ser outra, ou voltaremos a ter eventos do jeito errado, voltaremos a ter atletas treinando com alto risco, e desta forma descumpriremos as recomendações atuais e, não podemos ser parte do problema.

Vamos falar dos atletas da maioria dos esportes de combate.

De onde vem o seu dinheiro? Qual a forma de pagamento ofertada pela grande maioria dos promotores de luta do mundo?

A maior parte do dinheiro recebido por um lutador vem da realização de um combate, o atleta cumpre todo combinado no contrato do combate em questão, e comparece na data e local previamente combinado para, a partir daí vir a receber a “bolsa”, ou seja, o pagamento do valor combinado. Sem luta, sem dinheiro. A outra parte considerável dos ganhos de um atleta vem de seus patrocínios, e para poder contar com patrocínios tem que se manter ativo no mercado e relevante no cenário. Lutar de forma regular e bem nos tempos atuais é uma obrigação de todos e, fora isso o atleta também precisa se manter ativo nas redes sociais e ser participativo nos eventos que permeiam o meio das lutas. Ver e ser visto. Ser querido ou ser odiado, não importa, desde que seja relevante.

Agora podemos entender o motivo deste texto, o motivo da pergunta; quando será sensato voltarmos com os eventos de luta? Não existe salário mensal para praticamente nenhum dos profissionais envolvidos em um evento.

Os grandes eventos transformam as lutas em espetáculo, os melhores lutadores em heróis. Montam os grandes “Cards”, marcam as lutas e criam toda a esfera competitiva em torno dela. Trabalham com as grandes mídias, e aumentam o alcance do show ao máximo de público possível. Brindam-nos com lutas em todas as plataformas existentes, e desta forma conseguem gerar ganho financeiro compatível para custear tudo isso.

Percebemos de forma clara que os eventos de luta são responsáveis pela saúde financeira da vida de atletas, treinadores, árbitros, profissionais da mídia esportiva, empresários e muitos outros que vivem do entretenimento esportivo. Não existe mercado de esporte de combate, sem os eventos sérios e suas agendas permanentes. Os atletas, os promotores e toda a mídia esportiva que fomenta tudo aquilo de relevante que acontece no dia a dia do esporte necessitam do grande espetáculo para se massificar.

Encerro este texto sugerindo que, com todo cuidado possível precisamos buscar meios de voltar à normalidade mínima. Os grandes promotores estão buscando alternativas para poder voltar a realizar suas edições, e acredito que com bom senso geral os eventos médios e pequenos, também devem buscar seus métodos para apresentar formatos viáveis ao momento em questão.
Sem querer gerar debate sobre este ponto, deixo claro que nem todos podem simplesmente ficar em casa por tempo indeterminado e, a grande maioria dos profissionais da luta estão incluídos nesta afirmação. Os esportes de combate contemplam muitas modalidades e a maioria delas não possuem fôlego em suas agendas que permitam parar por muito tempo.

Pelo bem dos esportes de combate, o retorno deve ser rápido e perfeito, ou seja sem gerar ainda mais problemas.

Um comentário

  1. Artigo de Abril deste ano, estamos em Agosto e se vê exatamente o cenário aqui exposto. Estamos gradativamente voltando a um novo normal, mas esta realidade infelizmente não engloba a todos. Muitos profissionais do esporte, academias, não tiveram fôlego para se manter. O cenário da luta e entretenimento ainda é muito incerto, e torço para que se pensem em caminhos que os mantenham vivos! Saudades dos treinos!

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