Fé e superação: Júnior “Robocop” faz a luta da vida no Future MMA 9

Por Lucas Rodrigues

No próximo dia 19 acontece a 9ª edição do Future MMA, em São Paulo! O evento, que terá como luta principal a disputa do cinturão inaugural peso-meio-pesado entre Matheus Buffa e Fabão Vasconcelos, traz um card recheado de grandes combates, colocando frente a frente alguns dos principais nomes do MMA nacional! Dentre os bravos guerreiros que estrelarão o Future MMA 9, está Júnior Duarte, o “Robocop”, que subirá de divisão para sua estreia na organização. Amapaense de Santana, Júnior conversou com o Main Event e nos contou um pouco da sua história, que traz belos capítulos de fé e superação.

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Júnior Duarte em ação (Reprodução: Instagram)

Nascido em 17 de abril de 1991 na cidade de Santana, no Amapá, Júnior Duarte iniciou nas artes marciais ainda na infância, quando começou na capoeira.

E entre meias-luas e mortais, a garotada do bairro se dividia em dois grupos e organizavam seu próprio “torneio” de lutas:

“Eu iniciei na capoeira aos 8 anos e fui até os 13. Lembro que treinávamos e, ao final dos treinos, juntávamos duas equipes e começávamos a trocar “porrada” (risos). Mas era tudo na brincadeira, coisa de criança. Saíamos dali e ficava tudo bem depois.” – lembra.

Anos depois, já na adolescência, Júnior Duarte começou no MMA. Acima do peso, Júnior viu no esporte uma maneira de perder os quilos a mais e melhorar a saúde:

“Eu comecei a me envolver com o MMA aos 17 anos. Era mais para buscar um porte atlético, porque eu era bem gordinho. Então, para melhorar isso, comecei a fazer musculação e praticar MMA.” – conta Júnior.

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Júnior Duarte iniciou no MMA ainda na adolescência, em busca de melhorar sua forma física (Foto: Acervo Pessoal)

Com o tempo, o que era apenas uma atividade física visando melhorar a qualidade de vida acabou se tornando algo sério. Júnior começou a enxergar o MMA com os outros olhos e passou a vislumbrar o esporte como uma carreira.

Porém, para que Júnior iniciasse sua caminhada no MMA, ele precisou fazer uma promessa para sua mãe. Dona Socorro não se opôs à vontade do filho de iniciar no mundo da luta, mas pediu que também realizasse o seu sonho, que era vê-lo formado na universidade. Promessa cumprida com louvor por Júnior Duarte, que hoje é formado em Educação Física:

“Quando falei para minha mãe que queria viver da luta, ela me fez uma proposta. Ela disse que tinha o sonho de que eu me formasse, e eu lhe disse que também tinha um sonho, que era chegar ao UFC. Então ela me fez prometer que eu realizaria esses dois sonhos, que iria me formar e chegar no maior evento do mundo. Hoje sou formado em Educação Física e agora vou em busca de realizar o outro sonho por ela. Esse é meu combustível. Uma promessa que fiz aos 19 anos de idade para a minha mãe.” – recorda o atleta.

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Júnior Duarte e Dona Socorro, mãe e maior incentivadora (Foto: Leandro Silva Photography)

Mas, apesar do aval de sua mãe para buscar o seu sonho, o início do atleta no MMA não aconteceu como esperado. Logo em sua primeira luta, ainda no MMA amador, o peso-galo sofreu uma fratura no nariz. Um baque que não o impediu de seguir em frente. Determinado, o atleta recuperou-se da lesão, retornou aos treinos e pouco tempo depois decidiu que era a hora de estrear profissionalmente. Logo a oportunidade surgiu e Júnior a agarrou com unhas e dentes:

“Após minha estreia no MMA amador, na qual quebrei o nariz, surgiu uma oportunidade de lutar novamente. Era um evento bacana que tinha chegado aqui no estado e eu queria muito estrear no MMA profissional, então fui. Fiz uma preparação boa, apesar de nunca ter cortado peso até então. Nunca havia tido essa experiência. Tanto que cortei só 4kg e sofri para bater esse peso (risos). Mas como disse, me preparei bem, fiz um primeiro round bem explosivo, até por não ter tanta técnica, estar começando a carreira. Já no segundo round, consegui surpreender meu adversário com um gancho e venci por nocaute. Acho que foi aí que decidi focar mesmo no MMA. Depois dessa luta, surgiram oportunidades em outros eventos e eu me joguei de cabeça.”

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(Foto: Clube do Faixa Preta)

Desde então, Júnior Duarte emplacou mais sete vitórias e sofreu apenas um revés. O atleta vivia o melhor momento de sua carreira, que acabou interrompido de maneira inesperada e exigiu que o amapaense mostrasse mais uma vez sua capacidade de superar adversidades: ao tentar impedir um assalto na casa de seu pai, Júnior acabou sendo baleado pelos bandidos. O atleta recorda o ocorrido:

“Há alguns meses atrás, eu vinha chegando de carro na casa do meu pai quando três bandidos armados me abordaram. Eles queriam entrar na casa para praticar o assalto, só que eu não permiti e acabamos entrando em luta corporal. Eles efetuaram disparos e um desses disparos acabou me acertando no crânio, causando uma pequena fissura.”

Apesar do tiro não ter deixado sequelas, o atleta afirma que não foi fácil superar o trauma. Dono de uma fé inabalável, Júnior conta que foi a mesma que lhe ajudou a superar esse momento delicado:

“Sou um cara cristão, temente a Deus, então entreguei tudo nas mãos Dele. Pedi que Ele trabalhasse meu psicológico, meu emocional. Querendo ou não, é uma situação que nos abala e que está sempre trazendo de volta algumas más lembranças. Mas eu nunca deixei que isso me desmotivasse. Na verdade, isso sempre me motivou a ir além. Me vejo como uma ferramenta nas mãos de Deus para edificar a fé daqueles que creem nele. Levo isso como uma oportunidade que Deus me deu para continuar vivo e seguir buscando meu sonho. É um combustível a mais.” – conta o peso-galo.

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Religioso, Júnior tem a fé como seu alicerce (Reprodução: Instagram)

Por sorte, o incidente não causou graves problemas a Júnior Duarte, mas lhe rendeu um novo apelido. A pedidos de um amigo, Sozinaldo Duarte Júnior agora também atende por Júnior “Robocop”:

“Aqui no meu estado eu sempre fui conhecido por Júnior Duarte. O meu nome é Sozinaldo, o mesmo do meu pai, então todo cara que pega o nome do pai acaba conhecido por Júnior. Sempre fui o Júnior Duarte, mas depois do ocorrido, um amigo meu falou para que eu começasse a usar o apelido de “Robocop”, que isso poderia repercutir por conta do acidente, então aderi.” – lembra Júnior.

Com toda certeza, todos nós já ouvimos a célebre frase “depois da tempestade vem a bonança” pelo menos uma vez na vida. Mas, se para nós, esta é apenas umas simples frase, para Júnior, ela é quem dita sua vida.

No dia 14 de setembro de 2019, já completamente recuperado do acidente, o peso-galo retornou ao cage e conquistou seu 9º triunfo na carreira. Uma vitória importante que, não somente marcou a volta de Júnior ao MMA, como também chamou a atenção do Future MMA, atualmente considerado o maior evento de artes marciais mistas da América Latina.

A notícia de que Júnior integraria o card da organização veio por mensagem através de um amigo ligado ao Future e que acompanhava sua carreira desde 2017:

“Lembro que recebi esse convite pela manhã bem cedo. Ao abrir meu celular, vi a mensagem de um amigo ligado ao Future, falando que eu faria parte do próximo card do evento, sem nem precisar passar por votação. Foi uma felicidade muito grande, até porque é muito difícil para os atletas saírem daqui do nosso estado para competir. Nosso estado é muito carente de apoio no esporte. Temos grandes atletas aqui, que acabam ficando escondidos porque o estado não nos dá tanto apoio. Então, muitas das vezes temos que nos mobilizar, pedir ajuda a amigos, parceiros de treino, pessoas que nos ajudam financeiramente, para poder sair do Amapá e tentar chegar no topo. Então, por isso, foi um convite especial. Tenho certeza de que vou para fazer história nesse evento, vou depositar todas minhas energias nessa luta e se Deus quiser a vitória vai vir!”

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Com um cartel de 9-1, “Robocop” chamou a atenção do Future MMA (Foto: Iron Fight Combat)

Acostumado a superar grandes desafios, “Robocop” terá de mostrar mais uma vez que merece figurar entre os melhores atletas do país. Originalmente peso-galo (até 61kg), o atleta estreará pela organização lutando na categoria de cima (até 66kg), contra o talentoso Jonas “Speed” Bilharinho (7-1), no Future MMA 9, que acontece dia 19 de outubro em São Paulo. Confiante, o amapaense faz elogios ao seu adversário, visualiza um grande combate, mas garante que terá seu braço levantado ao final do mesmo:

“Conheço o Jonas Bilharinho, já vi algumas lutas dele. Estamos atentos a tudo, trabalhando em cima dos erros dele, mas também no que ele tem de melhor, para assim acertarmos o alvo. Acho que vai ser uma luta muito boa, bastante técnica, até porque ele também é um atleta de ponta. Mas eu estou preparado, treinando bastante e sei que Deus vai me honrar e vou trazer essa vitória para o Amapá”. – afirma o confiante Júnior Duarte.

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Em seu maior desafio da carreira, Júnior subirá de divisão para encarar Jonas Bilharinho

Caso conquiste sua 10ª vitória na carreira diante de Bilharinho, Júnior já tem em mente qual será seu próximo passo. O lutador, que pretende voltar ao peso-galo após este combate, espera que um antigo desafio finalmente saia do papel:

“Em caso de vitória, eu pretendo descer para minha categoria original, até 61kg (peso-galo), e desafiar o Felipe “Cabocão”, parceiro de treinos do Jonas Bilharinho, e que hoje está no UFC. Há algum tempo atrás ele me desafiou em um evento que aconteceu em nosso estado, mas infelizmente essa luta nunca rolou. Então, se eu tiver a oportunidade, quero desafiá-lo. Que a gente se enfrente no UFC ou em qualquer outro evento. Quero lutar com os melhores do mundo, estou preparado para isso. Não escolho adversário, o que mandarem para mim, eu tô ‘pegando’. Para ser grande, temos que lutar com os grandes.”

Ao ser perguntando sobre seu maior sonho, Júnior Duarte fugiu das respostas que costumamos ouvir. Obviamente, assim como para qualquer atleta de MMA, assinar com o UFC e se tornar campeão mundial em sua divisão de peso são objetivos que o amapaense busca atingir. Mas o que realmente move o amapaense é o seu sonho de montar um projeto social em sua cidade natal e fazer com que as artes marciais mudem a vida dos jovens que ali habitam, assim como mudou a sua:

“O meu maior sonho é realizar algo que tenho dentro do meu coração. Quero montar um projeto social para as crianças carentes de Santana, onde moro. Quero ajudar as crianças a saírem das ruas, buscar uma melhoria de vida para elas, sempre agregando as artes marciais com a educação. Fazemos um trabalho missionário por aqui e queremos agregar tudo isso. Quero mostrar a eles o melhor caminho, para que eles não venham a desviar quando crescerem.” – finaliza.

 

 

 

 

 

 

Um comentário

  1. Show junho Duarte assim como vários atleta da academia Ronildo nobre sempre deram exemplo de grandeza. E espelhamento para sociedade de pessoa otimista.

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