Falando a verdade #3 – Profissionalismo é a única chance do MMA Nacional

Por Cristiano Martins

Trabalho com MMA Nacional há 11 anos, desde sempre a reclamação foi, as bolsas no Brasil não compensam.

Só que quando eu comecei, não eram nada fora do normal bolsas de 2 ou 3 mil reais. Se contarmos com a desvalorização da moeda a coisa realmente mudou do vinho para o vinagre.

Acontece que desde então as piores atitudes que partem de quem faz o MMA só pioraram.

Já vi desde atletas não batendo peso de propósito, passando por exigência de mudança de regra minutos antes da luta (Sim, eu vi um atleta falando que não aceitava que valesse cotovelo, porque a bolsa não compensava), até o atleta pesar, pegar a mochila e ir embora, sim, o atleta pesou, bateu peso, fez encarada, pegou a mochila e foi embora, não lutou…

Já vi muita gente reclamar de ter que vender ingresso pra ganhar o dinheiro da bolsa, só que a reclamação sempre vinha depois do aceite, sim, a pessoa aceitava a condição e depois começava a reclamar.

Quando falamos de profissionalismo, não podemos esquecer que ninguém coloca uma arma na cabeça do atleta para que o mesmo lute, poucos atletas tem a capacidade de levar público de fato a um evento de luta, portanto, na condição que chegamos, o atleta ter onde lutar para continuar regando o seu sonho é uma benção, mas se ele aceita uma luta, precisa honrar seus compromissos.

Fui adicionado a um grupo do evento Shooto Brasil, que agora tem como Matchmaker o Rafael Vinicius, treinador que entende muito do riscado e tem feito um ótimo trabalho nos cards que vem montando.

Ele criou uma equipe que cuida dos documentos, dos pedidos de exames e das pequenas questões burocráticas como exames da CABMMA, Fotos, músicas dos atletas, informações para a TV, contrato com a Vivipay que dá uma grana extra de patrocínio a todos que lutam o Shooto e ainda assim, acreditem, tem gente que falha.

Sim, estamos em 2019, talvez em um dos piores momentos do esporte desde que comecei e ainda assim, tem gente que não entrega documentos, informações, fotos e exames no prazo, isso sem contar o grande número de atletas que dão problema com o peso.

A ordem que se estabeleceu pelo Manda Chuva, André Pederneiras é:

Não cumpriu com prazos, falhou com o peso ou coisa semelhante, estará sumariamente cortado dos cards do Shooto (Um dos únicos eventos nacionais que tem um circuito) e ficará fora da franquia por no mínimo um ano.

Essa atitude visa que atletas, treinadores e equipes tenham mais responsabilidade no trato de um dos poucos eventos nacionais que ainda paga em dinheiro para o atleta lutar.

Mas até nele, fica complicado contar com atitudes profissionais dos principais responsáveis pelo sucesso do MMA. Os atletas.

Esse “Castigo” que lembra as punições dadas por professores primários, só é necessário, pelo amadorismo do cenário, sem o qual o MMA Nacional estaria em outro patamar.

Sim, nós temos potencial para termos um MMA Nacional forte e que pague bem, porém, tudo começa dentro da academia.

Pensemos nisso.

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