Falando a verdade #2 – CABMMA voltou atrás mas não desceu do Pedestal

Por Cristiano Martins

Boa noite pessoal, na coluna ‘Falando a verdade’ de hoje, vamos comentar a mudança de resultado na luta entre Alessandro Gambulino e Alex Canguru.

Para quem não sabe, o resultado controverso foi alvo de um pedido de revisão pelo atleta e a Comissão decidiu alterá-lo para No Contest.

Quero aqui comentar a respeito do texto desse documento com vocês:

Prezado Sr. Alessandro de Oliveira Soares Junior,
Em 03/09/2019, V.Sa. solicitou revisão do resultado do combate entre V.Sa. e Alex Sandro Alves “Canguru” no evento Brave Combat Federation 25 realizado em 30/08/2019 na cidade de Belo Horizonte/MG.

Primeiramente é importante ressaltar que a CABMMA segue as diretrizes e os protocolos adotados pela Association of Boxing Commissions and Combative Sports (ABC) e, por este motivo, necessitou de tempo para conduzir a pesquisa e analisar os precedentes que envolvem a referida entidade, definindo assim como proceder sobre o assunto.

(Com essa afirmação a CABMMA mostra que ainda tinha dúvidas sobre como proceder em um caso muito simples de avaliar, foi buscar precedentes em uma entidade internacional que criou os protocolos pelos quais ela se baseia. Importante lembrar que a CABMMA se estabeleceu no mercado a alguns anos e é responsável pela regulamentação no Brasil do evento de MMA do mundo o UFC, essa fase de buscar precedentes, portanto, já deveria estar no passado).

Em linhas gerais, as diretrizes, os protocolos e os precedentes analisados levam a CABMMA a não alterar o resultado de nenhum combate salvo em caso de constatação de:
(1) conluio que tem afetado o resultado do combate
(2) erro no somatório das papeletas dos Juízes, resultando em atribuição da
vitória ao atleta errado; 
(3) decisão incorreta proferida pelo Árbitro em razão de erro na interpretação
das regras e regulamentos adotados pela CABMMA.

Vsa., ao ser questionada pelo Médico de Ringue no intervalo do primeiro para o segundo round, alegou não estar enxergando, indicando não ter condições de seguir na luta, o que resultou na interrupção médica, logo, dando-se assim, pelo árbitro, encerrado via Nocaute Técnico (TKO).
No tocante à sua alegação de erro na interrupção do árbitro no combate em questão, o Sr. Fernando Portella não identificou o golpe ilegal não intencional aplicado pelo atleta Alex Sandro Alves aos 4:59 do primeiro round (“eye poke”) em Vsa., que provocou a lesão e logo, o término do combate na sua sequência.

(Reparem que a luta foi paralisada faltando 1 segundo para que o round se encerrasse, fato esse que faz com que o árbitro reforce a atenção no lance para a interrupção imediatamente após a buzina, como poderia, alguém que está a menos de 1 metro do combate e olhando atenciosamente para as ações não ter percebido o golpe ilegal?)

Como o evento não disponibilizou monitores para consultar o replay instantâneo, o árbitro agiu de forma correta, conforme exigem os protocolos de arbitragem, solicitando ajuda aos juízes laterais do combate (Polling) e ao árbitro auxiliar (Secondary Referee), e também nenhum deles identificou o golpe pelo ângulo em que estavam posicionados na hora do combate, o que reforçou a decisão do árbitro.

(Estive presente em eventos inloco com transmissão ao Vivo desde 2009, em nenhuma transmissão por canal de TV, faltou um monitorzinho que fosse ao lado do cage, porém, digamos que o árbitro não pudesse sair do cage para olhar esse monitor, foram citados, 4 pessoas no mínimo, os Três Juízes e um árbitro auxiliar. Fica difícil crer que não havia possibilidade de que um desses olhasse esse monitor. Mas ainda assim, vamos sustentar a tese de que esse monitor não existe, ele não estava a beira do cage. Hoje o Canal Combate disponibiliza um serviço chamado Combate Play, onde de qualquer Smartphone se conseguiria assistir o replay do lance, com isso, a conclusão que chegamos é que faltaram boa vontade por parte da equipe ou capricho, visto que a CABMMA e o Canal Combate mantém um relação. Para quem não sabe para que o evento tenha transmissão do Combate, é necessário que o evento contrate os serviços da CABMMA, exigência irrestrita do canal para a transmissão, com isso, é difícil crer que as duas empresas não teriam uma forma de resolver facilmente questões como essas).

Durante a revisão do combate na semana após o evento, por meio das imagens cedidas pelo Canal Combate foi identificado tal golpe ilegal não intencional.

(Pago 89,90 adicionais no meu pacote da SKY e tenho um decodificador HD, é nele que gravo os eventos transmitidos pela TV como SFT, Thunder, Max Fight, Shooto e avalio com maior facilidade esse conteúdo para o Prêmio Osvaldo Paquetá, portanto, se eu tenho esse cuidado, alguém da CABMMA ou ao menos os responsáveis pela arbitragem, não deveriam pensar em fazer o mesmo?).

Assim, com base no acima exposto, após revisão do caso, o Comitê Executivo decidiu por reverter o combate de Vsa. e Alex Sandro Alves, e oficialmente determina o resultado como NO-CONTEST.
Respeitosamente,
Presidente – CABMMA

(Ao menos a justiça foi feita, mesmo que diante de uma grita popular a respeito, o importante é que o correto foi feito, não importando portanto o custo disso).

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