Falando a verdade #1 – CABMMA precisa descer do seu pedestal

Por Cristiano Martins

Hoje estreio aqui no MAIN EVENT com as características que marcaram a minha trajetória no MMA.

Zero compromisso em aliviar quem quer que seja, desde desafetos até amigos do peito.

Vamos então começar com a postura da CABMMA em relação a luta que aconteceu no Brave 25 entre Alessandro “Gambulino” e Alex “Canguru”.

Vamos lembrar alguns detalhes que podem ter influenciado no caso, porém, que não deveriam.

Poucos sabem Gambulino havia reclamado de forma veemente do desfecho em sua luta na primeira edição do Brave em BH, no dia 13 de Abril de 2018, quando disse ter sido atingido de forma ilegal por Rodrigo Cavalheiro que o nocauteou ainda no primeiro round, com duríssimas cotoveladas.

Nessa edição ele não bateu o peso combinado da categoria, perdendo assim um percentual pré acordado em sua bolsa, algo que já é praxe das principais comissões atléticas espalhadas pelo mundo.

Isso posto, vamos a luta.

Alessandro Gambulino dominava de forma clara a luta, quando em uma tentativa de defesa do possível Mata Leão, “Canguru” leva a mão aberta para trás de sua cabeça e um de seus dedos entra de forma profunda nos olhos de Gambulino. Falta.

gambulino
Alessandro Gambulino (Foto: Brave CF)

O procedimento correto em situações de faltas desse nível é, atleta lesado corner neutro para se recuperar, atleta faltoso, corner neutro para aguardar a decisão do árbitro e 5 minutos para que o atleta possa se recuperar e se sentir confiante para voltar a lutar, ou dizer que não consegue.

Nisso, entra o médico responsável pela integridade física dos atletas, faz uma avaliação do atleta ferido e diz se o mesmo tem ou não condições de voltar a lutar.

Em não havendo condições de luta o combate é decretado encerrado e existem as possibilidades de desfecho a seguir:

Se a falta ocorreu ainda no primeiro round e a falta foi julgada pelo árbitro como não intencional, a luta é declarada sem resultado, o famoso, No Contest.

Se ela acabou no primeiro round e o árbitro entendeu que a falta foi intencional, o árbitro desclassifica o faltoso e declara o que sofreu a falta como vencedor.

Se a luta teve mais da metade do tempo total passado, as papeletas avaliadas até ali são somadas e ganha quem tiver mais pontos, porém, apenas se o árbitro entender que a falta não foi intencional, se ele entender o contrário, se mantém a desclassificação do faltoso.

As regras são claras como diz Arnaldo César Coelho.

Com isso, é mais do que claro que a CABMMA errou.

Porém, existe nessa luta uma outra teoria.

O atleta Gambulino teria se negado a voltar a lutar.

Isso teria mudado as coisas, pois o central, Fernando Portela, teria entendido que a falta não foi intencional, o médico teria avaliado e decidido que o atleta teria condições de voltar a lutar (O que é muito complicado de avaliar, pois, por mais que ele tenha experiência profissional e oftalmológica, ele não está enxergando com os olhos do atleta), então, o central deveria ter descontado ponto ou pontos do faltoso, e o mesmo teria que voltar ao combate.

Acontece que o atleta nega que tenha tido essa postura, segundo Alessandro Gambulino me falou diretamente, ele queria voltar a lutar e foi impedido.

Isso é INACREDITÁVEL, e foge de todas as possibilidades de aceitação.

A CABMMA é hoje a principal entidade reguladora do MMA brasileiro.

Quando eu digo reguladora eu não estou dando poderes políticos a CABMMA, não, ela não é uma “Polícia Federal” do MMA, muito menos um “Ministério Público da Luta”, porém, por diversos motivos ela é a empresa mais forte a desempenhar o trabalho de arbitragem no Brasil, com isso ela oferece o melhor serviço e também é a que cobra mais caro por isso.

Toda a sua oferta de excelência no trabalho, passa pelo interesse dos eventos na transmissão do seu conteúdo pelo Canal Combate, o canal mais antigo e de público de nosso nicho de mercado.

Porque estou falando tudo isso.

Todo esse poder nas mãos da CABMMA, dão a sensação de que ela não vai se explicar pelo caso, se fosse, já teria feito.

Imagine você leitor amigo, que tem aquele companheiro de academia que está voando, vencendo todo mundo, você torce muito por ele, você compra ingresso pra assistir a luta dele, ou assina o canal por 89,90 e vai assitir ao vivo com toda a sua família, suando frio e gritando por ele.

Você gostaria de saber que ele corre o risco de ser injustiçado por uma entidade que pode tomar atitudes ao bom e velho estilo STF, sem ter quem a cobre, sem ter quem a fiscalize e que não leva em consideração nem mesmo a opinião pública?

Alessandro Gambulino é um atleta do interior de Minas Gerais, pouco conhecido sim, mas que tem um cartel bom, se não tivesse, não teria tido duas oportunidades em evento internacional.

Nós devemos entender acima de tudo que o MMA é um esporte muito duro, onde o treinamento tira mais da saúde do atleta do que a luta propriamente dita, não é justo que um erro não seja justificado ou corrigido por puro orgulho.

Sim, a não manifestação da CABMMA, não se dando ao trabalho de ao menos justificar o que houve, me trás a impressão de que é tudo apenas orgulho de seus dirigentes.

2 comentários

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