Lutador nato: Conheça Luiz Cado, campeão meio-médio do Future MMA

Por Lucas Rodrigues

No mês passado, o Future MMA conheceu o seu primeiro campeão meio-médio (até 77kg). Representante da CM System, o curitibano Luiz Cado (14-6) finalizou Wendell Giacomo ainda no primeiro assalto e conquistou o cinturão da companhia. “Golden Boy”, como é conhecido, conversou com o Main Event e contou um pouco sobre sua trajetória até chegar ao topo do maior evento de MMA da América Latina.

Luiz Cado é o primeiro campeão meio-médio da história do Future (Foto: Marcos Santos)

Para iniciar a conversa, voltamos à década de 90. Nascido em novembro de 1992, Luiz Cado conta que teve uma infância tranquila. Morando em Curitiba, o meio-médio exaltou sua família e os bons momentos com ela passados:

“Nasci e cresci em Curitiba. Morei quase a vida toda no mesmo lugar. Tive uma infância boa. Sempre com algumas dificuldades, claro, mas isso é normal. Nunca me faltou nada e sempre tive uma base familiar muito boa. Não sou de contar histórias tristes. Gosto sempre de falar das coisas boas.” – conta o atleta.

O motivo pelo qual Cado iniciou nas artes marciais foi um tanto quanto incomum. Integrante de torcida organizada quando mais jovem, o curitibano começou a praticar Muay Thai com o intuito de se defender melhor nas brigas que aconteciam:

“Meu início foi no Muay Thai. Para ser sincero, só comecei a treinar porque eu era de torcida organizada e gostava de brigar. Sempre gostei. Então comecei a treinar para que eu aprendesse a brigar melhor.” – recorda Luiz Cado.

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O início de Cado nas artes marciais começou no Muay Thai (Foto: Quantika Sports)

 

O jovem, que acabou tomando gosto pelo Muay Thai, decidiu começar a competir. Para seguir a carreira de lutador, “Golden Boy” teve o apoio dos seus familiares, principalmente de seu pai. Foi ele quem mais o incentivou e fez acreditar que poderia chegar longe no esporte:

“Sem dúvidas, minha maior inspiração foi meu pai. Foi ele que sempre me incentivou, desde quando eu ainda era atleta amador. Ele sempre acreditou em mim. Eu nunca fui um cara muito talentoso e, mesmo dentro dos meus limites, meu pai acreditou muito em mim. Ele sempre foi um exemplo, um homem muito honesto e trabalhador. Ele nunca lutou, mas é um cara 10 vezes melhor do que eu.”

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Luiz Cado e seu pai: grande incentivador e sua maior inspiração (Foto: Cristian Garcia)

O início de Luiz Cado no MMA aconteceu devido a escassez de eventos de luta em pé para lutar. A falta de competições e o desejo de permanecer lutando fez com que o atleta se aventurasse nas artes marciais mistas:

“Quando eu era mais novo, só pensava em lutar Muay Thai. Mas, pela falta de eventos de luta em pé para competir, decidi migrar para o MMA. E então acabei curtindo lutar MMA muito mais do que Muay Thai.”

“Loucura” é como Cado define sua estreia no MMA, que aconteceu em junho de 2011. Apesar de lutar na divisão de cima, sem uma preparação adequada e diante de um atleta experiente, “Golden Boy” teve o seu braço erguido após nocautear Julio Cesar Bilik no segundo round:

“Eu não tinha experiência no Jiu-Jitsu, ainda era faixa branca. Surgiu a oportunidade de lutar e, mesmo assim, aceitei o desafio, porque eu nunca fui de correr de luta. Depois disso não parei mais (de lutar). Não tive muita preparação para essa estreia, foi meio que na “loucura”. Não existia um planejamento, estratégia. Inclusive, minhas primeiras lutas eram na categoria de cima, até 84kg. Eu não perdia muito peso para lutar, ia na “loucura” e na raça.” – relembra o curitibano.

O curitibano é profissional de MMA desde 2011 (Foto: KSW)

Apesar da longa caminhada, Luiz Cado ainda não vive exclusivamente do MMA. O atleta, que já trabalhou como açougueiro e vigilante, hoje é motorista de aplicativo e conta com o apoio de Bruna, sua esposa e fiel escudeira, para seguir em busca do sonho:

“Eu já fiz de tudo um pouco. Trabalhei alguns anos em um açougue, com meu pai, onde ele trabalha até hoje. Mais tarde comecei a dar aulas de Muay Thai e nos fins de semana trabalhava com segurança. Também já fui vigilante e hoje eu trabalho como motorista de aplicativo para poder pagar as contas. Só consigo continuar lutando porque minha esposa trabalha muito para me ajudar a pagar as contas. Se não fosse ela, eu não conseguiria continuar lutando.” – conta o lutador.

Após quase dois anos sem lutar e vindo de derrota, o convite para integrar o Future MMA foi um divisor de águas na carreira de Luiz Cado. Esta era a chance que o “Golden Boy” tanto esperava e, por isso, disse “sim” ao seu treinador Cristiano Marcello sem pensar duas vezes. Empolgado com a oportunidade, o curitibano conta que aceitou a proposta antes mesmo de saber quem seria seu adversário:

“Quem cuida dessa parte é o meu treinador, Cristiano Marcello. Quando ele me disse que tinha surgido a oportunidade de lutar no Future, eu aceitei e não queria nem saber quem seria o meu adversário. O Future é o maior evento da América Latina e eu não podia deixar essa oportunidade passar. Fiquei muito feliz e quero ter uma vida longa no evento. Depois de lutar no Future, vai ser difícil lutar em outro evento. Acho que não há outro com essa estrutura no Brasil.”

Luiz Cado e seu treinador Cristiano Marcello (Foto: Arquivo Pessoal)

Em sua estreia no Future, Cado mediu forças com o experiente Claudiere Freitas e mostrou o seu valor. ao grande público. O representante da CM System impôs o seu jogo e conquistou a vitória por nocaute técnico no segundo round. Um grande triunfo, que lhe rendeu a disputa de cinturão dos meio-médios logo em seguida. Um convite inesperado, mas que “Golden Boy” agarrou com unhas e dentes:

“Sinceramente, eu não esperava por isso (convite para disputar o cinturão). Mas, quando a oportunidade surgiu, eu me joguei. Acho que nada é por acaso. Sou um cara rodado, estava entre os melhores do Brasil, então por mais que eu não esperasse essa disputa de cinturão já na minha segunda luta pelo evento, eu sabia que essa chance viria uma hora ou outra e, quando ela viesse eu não ia deixar passar.” – relembra o meio-médio.

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Em sua estreia, “Golden Boy” venceu Claudiere Freitas por nocaute (Foto: Future MMA)

Na tão sonhada disputa de cinturão, Luiz Cado teve pela frente o pernambucano Wendell Giacomo, da Pitbull Brothers. Luta principal do Future MMA 6, o embate terminou de forma relâmpago. Com um justo mata-leão ainda no minuto inicial de luta, Cado interrompeu a sequência de 6 vitórias consecutivas de Giacomo e sagrou-se o primeiro campeão meio-médio da história da organização.

Ao falar sobre a luta, “Golden Boy” rasgou elogios a Wendell Giacomo e garantiu que a vitória só foi possível graças ao excelente trabalho feito por sua equipe:

“Vi alguns vídeos do meu adversário e sabia que ele era um cara muito duro. Explosivo, muito forte, sabia que ele iria querer me pressionar e se eu deixasse que isso acontecesse, eu teria problemas. Tranquilo nunca é. Eu estava pronto para lutar 5 rounds porque sabia que o Wendell era um guerreiro e que ele não iria desistir da luta tão fácil. Mas sou um cara privilegiado por ter uma equipe muito forte que é a CM System. Treinamos muito e buscamos lutar com inteligência, esse é o nosso diferencial. Meus treinadores abriram minha cabeça desde o começo e me mantiveram focado na estratégia. Se não fosse eles, a luta poderia ter terminado de outra forma. Eles conseguiram me deixar focado o tempo todo e assim ficou mais fácil conquistar a vitória.” – conta o campeão.

(Foto: Future MMA)

Sempre calmo e sereno, Cado se diz feliz por ter conquistado o cinturão do Future MMA, mas garante que isso não vai mudar sua postura e que vai manter os pés no chão, em busca de novos desafios:

“Eu fiquei muito feliz em ter conquistado esse cinturão. É fruto de todo um trabalho duro. Mas sou tranquilo, acho que isso não muda nada. Vou me manter focado, treinando, pronto para defendê-lo. Nada mudou.”

Perguntado sobre qual será o seu próximo passo na carreira, Luiz Cado afirma não fazer muitos planos. Seu maior desejo é continuar lutando, não importa a organização:

“Eu não quero recompensas. Eu gosto de lutar, de treinar, de fazer dieta. Quero continuar lutando, esse é meu objetivo. Quem sabe eu não possa ir em busca do cinturão do LFA em breve. Trazer outro cinturão para a CM System. Ou então lutar em uma edição do Future fora do Brasil. Seria ótimo! UFC, Bellator, qualquer lugar. Onde eu estiver lutando, estarei feliz. Continuar lutando é tudo o que eu quero!” – finaliza.

 

 

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