Conheça a história de Paulo Pizzo, o mais novo contratado do LFA

Por Lucas Rodrigues

Com nove vitórias no MMA, o experiente Paulo Pizzo é o mais novo contratado do LFA. O multicampeão de Kickboxing, que nocauteou Caionã “Blade” em seu último combate, pelo Future FC 4, impressionou os donos do evento, que lhe concederam um contrato na organização que mais exporta lutadores para o UFC. Feliz com essa nova fase na carreira, Pizzo conversou com o Main Event e contou um pouco sobre seu início nas artes marciais, sua rotina e também falou de seus planos para o futuro.

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Após nocaute no Future FC 4, Pizzo assinou com o LFA (Foto: Marquinhos Santos)

Começando por sua infância, Paulo Pizzo se definiu como uma criança feliz. O atleta passava maior parte do tempo brincando na rua, onde diz também ter aprendido importantes lições. Apesar de se meter em algumas brigas, Pizzo afirma que teve uma infância maravilhosa:

“Minha infância foi maravilhosa. Fui o primeiro filho, também o primeiro neto, então tive muito amor e atenção da família. Sempre fui muito bagunceiro e vivia na rua, aprendendo todas as lições. Eu era muito briguento também (risos). Mas tive uma infância maravilhosa!” – conta

O interesse de Pizzo pelas artes marciais começou cedo, assistindo vídeos de competições de K-1 junto aos irmãos. Determinado, o jovem chegou a fazer um abaixo-assinado para que trouxessem o Muay Thai até seu bairro:

“O meu interesse pelas artes marciais começou na época em que eu assistia vídeos de K-1 com meus irmãos. Procurava o tempo todo por alguma academia de lutas na região, para começar a treinar, mas não tinha nenhuma. Então fiz um abaixo-assinado em uma academia perto da minha casa para que levassem o Muay Thai até lá e consegui. Já na minha primeira aula, o professor me viu treinar e disse que eu tinha futuro. Ele falou que ia me levar para outra academia, um centro de treinamento, onde eu iria evoluir como atleta. E assim comecei” – relembra

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Inspirado nos seus ídolos do K-1, Pizzo hoje é considerado um dos principais nomes da luta em pé no Brasil (Foto: WGP Kickboxing)

Além do Muay Thai, Pizzo também começou a praticar Kickboxing e Boxe e, em pouco tempo, já se tornava um nome respeitado nas três modalidades, conquistando inúmeros títulos. O atleta relembrou alguns deles:

“No Muay Thai sou campeão paulista e brasileiro e vencedor do New Talents Fight 6, Pro Fight 6, 7 e 8, Arena Brasil 3 e Master Fight. Além disso, sou dono do cinturão do EW Hit Penha Fight e Round 1 Fight. No Kickboxing também sou campeão paulista e brasileiro. Venci os torneios Puro Impacto, Combat Fight, KGB Fight Champion, WGP 41 e 50 e sou detentor do cinturão do TF Fighting. No Boxe fui terceiro colocado no torneio Forja dos Campeões por duas vezes (2010 e 2015). Fora os combates amadores, em que fui campeão em alguns torneios de academias.” – lista o atleta

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Pizzo e sua equipe na conquista do cinturão do TF Fight: um dos vários títulos do atleta na luta em pé (Reprodução: Instagram)

Já o interesse de Paulo Pizzo pelo MMA surgiu um pouco mais tarde e de maneira um pouco curiosa:

“Meu interesse pelo MMA ocorreu de maneira um pouco confusa. Meu parceiro de treinos Reginaldo Vieira (campeão do TUF Brasil 4) vivia me chamando para treinar MMA na Peso Pesado Team, mas eu sempre brincava e dizia ‘Não vou nada… esses caras com shortinho da Bad Boy se agarrando. Melhor não!’ (risos). Até que um dia rolou um desafio, porque na época eu era forte, gostava de malhar. Então falei para o Reginaldo que aqueles caras não me pegavam de jeito nenhum. Fui fazer um ‘rola’ de 3 minutos com o Reginaldo e no primeiro minuto já tinha desistido, porque fui finalizado umas 5, 6 vezes por ele… e foi aí que me interessei. Me senti desafiado, me interessei pelo desafio que é o MMA. Vi que era algo totalmente diferente e hoje sou apaixonado pelo esporte” – revela

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Paulo Pizzo e seus companheiros da Peso Pesado Team (Reprodução: Instagram)

Em 2013, Pizzo fez a sua estreia no MMA, lutando no evento Heroes FC. Apesar de ser oriundo da luta em pé, o peso-galo venceu por finalização logo no início do combate:

“A minha estreia foi bem legal. Compareci à pesagem, bati o peso, fiz a encarada com meu oponente, tudo certo. Mas indo para casa, depois da pesagem, recebi uma ligação do dono do evento dizendo que o técnico do meu adversário não queria mais a luta, alegando que eu era ‘experiente demais’ no Muay Thai. Eu fiquei ‘maluco’, porque queria muito lutar. Mas um tempo depois, o dono do evento retornou e disse que havia conseguido um adversário de última hora para mim. Não sabia nem quem era, não tinha estudado nada sobre o jogo dele, fui na ‘cara e na coragem’. Acabei finalizando com uma guilhotina aos 1m20s do primeiro round. Foi sensacional” – lembra o lutador

O convite para lutar no Future FC, evento que simboliza o início da nova fase de Pizzo no MMA, aconteceu após sua 8ª vitória na carreira, em março de 2018:

“O convite para o Future FC, esse grande evento, surgiu após meu penúltimo nocaute, que aconteceu no Batalha MMA. Nocauteei meu adversário no primeiro round e então recebi o convite da organização, dizendo que participaria de uma votação para entrar no card. Fiquei muito feliz.”

Entretanto, a estreia de Paulo Pizzo no Future FC não aconteceu da forma esperada. Após um dedo no olho não-intencional da parte de Caionã “Blade”, Pizzo não teve condições de retornar ao combate, resultando em frustrante um No Contest:

“A nossa primeira luta foi bem frustrante. Não só para mim, mas como para o próprio Caionã, para os organizadores, público, minha equipe… foi frustrante para todos. Tínhamos preparado uma estratégia muito boa para aquela luta. Nenhum atleta quer que sua luta termine assim, com um No Contest em seu Sherdog. Para mim, foi horrível.”

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Apesar de promissor, o primeiro combate entre Pizzo e Caionã terminou em No Contest (Foto: Future FC)

Após final inesperado no primeiro confronto, o Future FC marcou um novo duelo entre Pizzo e “Blade”. Sobre a preparação para esta luta, Paulo Pizzo manteve a estratégia do primeiro combate:

“Para essa segunda luta eu não tirei nada do que já havia preparado para a primeira. No primeiro combate, até a interrupção, senti que eu estava sendo um pouco superior na trocação. Até por isso imaginei que ele fosse mudar a estratégia e dessa vez querer o jogo de solo. Então eu só intensifiquei meus treinos de wrestling, a parte de grappling… me preparei bastante.” – conta

O reencontro entre os atleta ocorreu no Future FC 4 e Pizzo levou a melhor, nocauteando “Blade” de maneira brutal. Além da vitória, o peso-galo ganhou um contrato com o LFA. Um final digno de filme, bem diferente da primeira luta, mas que já era esperado por Pizzo:

“Eu o estudei muito. Assisti suas lutas, trabalhei bastante em cima disso. Vi que na trocação ele se expunha muito e não trabalhava tanto os golpes em linha, coisa que faço bastante. Então sabia que, se ele viesse para trocar, eu só precisaria de uma oportunidade para colocar a mão nele e vencer. E foi o que aconteceu.” – conta

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No reencontro entre os atletas, Pizzo venceu “Blade” com um nocaute de cinema (Foto: Julio Bonfim)

Acordando todos os dias às 6h20, Pizzo tem uma rotina puxada. O lutador que hoje vive exclusivamente da luta se divide entre os treinos na Peso Pesado, em seu próprio centro de treinamento e também as aulas que ministra:

“Sobre a minha rotina, eu me levanto às 6h20 todos os dias. Preparo o café da manhã da minha esposa e das minhas filhas. As levo para a escola, minha esposa sai para trabalhar e então pego minhas coisas e vou para a Zona Sul treinar. Faço três treinos por lá, retorno para minha academia, o CT Pizzo, onde treino com meus avançados e depois ainda dou aulas. Fico direto até as 22h. Hoje vivo para a luta e da luta. Só trabalho com lutas. Além da carreira como lutador, dou aulas de Muay Thai, Jiu-Jitsu e personais de Boxe e Kickboxing”

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Pizzo encara rotina exaustiva em busca do seu sonho (Foto: Paulo Nunes)

Mas antes de dedicar-se integralmente às artes marciais, o peso-galo percorreu uma grande caminhada. Pizzo já foi carpinteiro, eletricista e pedreiro até se encontrar nas lutas:

“Já trabalhei com muitas coisas. Já fui pedreiro, carpinteiro, eletricista, mexi com bombas hidráulicas, levantei torres de celular, já trabalhei em frigorífico, fui motorista… fiz tudo isso até o dia que me encontrei nas lutas.”

Perguntado sobre qual seria o seu maior sonho, Pizzo disse ter vários. Entre eles, ter sua casa própria e ampliar o seu CT. Enxergando sua estreia no LFA como o primeiro passo rumo a essas conquistas, o lutador promete agarrar a oportunidade com unhas e dentes:

“Cara, tenho tantos sonhos… conquistar minha casa, aumentar meu centro de treinamento… são muitos sonhos. Mas agora, nesse momento, meu sonho é estrear bem no LFA. LFA, assim como Future, é um grande evento e, brilhando por lá, sei que posso alcançar uma oportunidade no UFC, que é o evento que todos almejam. Vou com tudo em busca disso, com muita dedicação. Chegou a minha hora. Como diz meu mestre, ‘a fruta só amadurece no tempo certo’ e acho que hoje estou maduro, pronto pra conquistar o que Deus tem preparado para mim há anos. Chegou o meu momento e vou com tudo buscar esse sonho!” – finaliza

 

 

 

 

Um comentário

  1. Um dos melhores lutadores que já vi no Muay Thai até hoje.
    Tive o privilégio de poder ter treinado com ele um dia.
    Espero vê-lo em competições internacionais. Inclusive aqui na Europa onde eu vivo hoje.

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